Gosto imensamente de escrever o que vivo, o que sinto, o que leio, o que assisto (sou cinéfila) enfim, sobre o conjunto de coisas que vão sempre me construindo ou reconstruindo e até aquilo que me desconstruindo cria-me outra melhor que a antiga Lúcia. Gosto disso. Gosto da Vida justamente por me dar a oportunidade de me renovar em ideias, pessoas, pensamentos, desejos, sonhos. Nunca me penso construída, pois, no dia que me pensar assim podem cremar-me após dividir os órgãos que ainda podem continuar vivendo em outra pessoa, pois, com certeza, pensar-me construida é pensar-me morta, risível, flagelo do que quero viver aqui, na minha cabeça e na minha incansável luta em viver o mais próximo meu mundo das ideias (segundo Platão). Não quero, não mereço, viver morta em meus devaneios, em meus acertos, desacertos, em minhas lembranças boas. Morta na minha capacidade de criar, de agir e de não-agir (também é ação). Lembro-me do filme "O Escafandro e a Borboleta", pois aquele filme (inspirado no livro do mesmo nome) é meu resumo.
Bem, mas vamos ao que li recentemente e que me impressionou, ensinou-me, fez-me pensar sobre mim e em quais momentos fui objeto de inveja e em quais eu fui a invejosa. Tenho o direito de ser "bondosa" comigo e também de fazer uso de um Direito Contitucional que é o Princípio da Inocência. Portanto, vou transcrever o texto do livro lido, "A Cabala da Inveja" de Nilton Bonder, "sentindo-me" não invejosa.
Moisés, no final de sua vida, quis saber de Deus por que teria que morrer. "Porque já nomeei Josué em teu lugar para liderar os israelitas", respondeu Deus. "Deixa-o liderar", contestou Moisés. "Eu serei seu servo." Deus concordou, mas Josué não gostou muito da situação. Moisés então lhe perguntou: "Você não quer que eu permaneça vivo?"
Josué, consentiu e tornou-se líder e mestre até mesmo para Moisés.
Quando foram entrar na Tenda Sagrada (onde se encontrava a Arca), uma nuvem surgiu. Josué foi autorizado a entrar no espaço sagrado e Moisés teve que permanecer do lado de fora.
Disse Moisés: "Uma centena de mortes são preferíveis à dor da Inveja." Naquele dia, Moisés pediu para morrer. (Crônicas de Moisés).
A Crônica, de uma grande intensidade, faz-nos refletir, que a Inveja, por não ser exclusidade do final da vida, como foi a de Moisés, mata pessoas jovens, mais velhas, sem idade, pois os seres humanos despendem tanta energia na expectativa de que o "outro" não seja bem-sucedido. Nesse caso, a própria vida não é mais capaz de propiciar tanto prazer e contentamento quanto o fracasso do "outro". O Invejoso, segundo o rabino Nilton Bonder, está diante de seu próprio cadáver, pois não é capaz e sentir por si só. É, portanto, uma alma penada, um vampiro que se alimenta não da sua própria vitalidade, mas da alheia.
É o que Zuenir Ventura, cita em seu livro "INVEJA - Mal Secreto", que a INVEJA é como melhor entendemos, nós, brasileiros, o famoso "Olho Gordo".
A psicanálise, hoje, já nos faz compreender muito onde originou-se a formação desse "vampirismo" da Inveja.
Empenhar-mos na busca do isolamento do vírus da Inveja, saber identificá-lo no meio de suas inúmeras nuances é investir na descoberta da verdadeira cara invejosa, é olhar essa realidade com outra visão. Enxergar, mesmo que seja na escuridão da superficialidade reduzirá o nível de agressividade deste mundo e torná-lo uma realidade mais aceitável, mais tolerável.
Livrar-mos de tantas ciladas e livrar tanta gente da cilada desse vampirismo. E até mesmo, reconhecendo-nos invejosos, buscar-mos tratamento desse Mal que Mata os portadores do Vírus e também os livrarmos da morte de não sonhar, não desejar as coisas boas que Deus nos deixou a disposição das pessoas atacadas (vampirizadas) pelo mesmo vírus.
Concluo esse post com o tema que tem sido objeto de estudo meu, com um Ditado em iídiche: "Se você é bonito(a), inteligente, estudioso (a), ou tem uma mulher (ou homem) bonita (o), você é um (a) mau (má) amigo (o)."
Quem desejar aprofundar-se nesse tema que faz tanto mal as pessoas tem a Doutora Melanie Klein em seu trabalho Inveja e Gratidão.
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