quarta-feira, 31 de março de 2010

DESPEDIDAS DISPENSADAS

Hoje, o Brasil foi palco de despedidas. De um lado, a candidata, segundo pesquisas, desconhecida do Governo, Dilma Rousseff, a mesma que declarou "uma pancadinha não dói" aos prantos, declarou: “Não importa perguntar porque alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Eles devem ter seus motivos. Mas nós temos patrimônio, fizemos parte da era Lula.” Nós, brasileiros, não temos dúvida disso. Assistimos a equipe do Lula, impiedosamente, ensinar às várias gerações como fazer um patrimônio. Orbitamos dos dólares nas cuecas aos castelos estilo Medieval. José Dirceu, o homem das pálpebras de baixo caídas, deixou claro que fazer patrimônio é muito mais fácil que se disfarçar de “outro” tanto para a esposa quanto para os militares. Nunca tivemos uma equipe tão destemida e audaz em “fazer patrimônio”. Triste, triste mesmo. Qualquer um choraria em pensar que pode estar soltando o osso por quatro anos. Tanto patrimônio a fazer sendo deixado para trás....
Em outra circunstância, não tão patrimonioso, o discurso de Serra: “Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela notícia fácil, o protagonismo sem substância. Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou de outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas.”
Resumo: no primeiro, a dor de abandonar a máquina de fazer patrimônio. No outro, a pobreza de não ser o protagonista da espetacular novela do poder do Grande Patrimônio. Até o Minc está fazendo uma "fezinha" para ver se aprende como fazer Patrimônio.

quinta-feira, 25 de março de 2010

QUE DECEPÇÃO

Quem esse "Boninho" pensa que engana? A mulher dele? Ou é confiança demais na falta de educação de um país que 26% da população que diz saber ler, não entende o que lê?
Sou mulher, nascida no Norte, em Porto Velho, Rondônia. Senti preconceito no gênero, na minha procedência, no sangue, no coração.
Sou Jornalista graduada pela UFPa, Bacharel em Direito, Pós-Graduada, minha primeira graduação foi conquistada numa Universidade Federal (do Pará), estou na luta por um mestrado.
Tenho um filho, uma das razões da minha existência, que é Gay. Hoje, nem eu nem ele precisamos da aceitação dos "bundões" como o Boni. Ele é formado em Relações Internacionais pela UNB, tem graduação em três idiomas (sem sotaque) e com 27 anos já é Mestre em Relações Internacionais. No dia que "senti" sua orientação homossexual e vi o quanto era uma pessoa determinada, feliz, amável, compreensiva e bem resolvida, eu fui para o divã de uma terapeuta. Mas isso não me deixou cega, ao contrário, fez-me mais viva, mais sensível, mais humana. Sinto o cheiro do preconceito. Não acredito em quem tem preconceito. São pessoas inválidas de sentimentos. È a pior invalidez humana. E ela, muitas vezes, decorre da ignorância e da falta de educação de um povo. O preconceito é igual aquelas pessoas que se divertem em falar mal dos outros. Não são confiáveis. Um dia o tiro será nas nossas costas. Não Confio. Não confio na Globo, não confio no "Boninho", não confio na ética "global". Quem aceita ver massacrarem pessoas de orientação sexual diversa, não pode posar de bom moço.
Achei, que a Globo ia desenvolver um serviço a comunidade brasileira mostrando que a comunidade GLBT não é nenhum monstro do pântano. Com meus 52 anos tive que admitir: Fui uma imbecil em pensar na dignidade dessa Instituição. Senti raiva de mim e nojo dessa emissora.
Por que a proteção com um ser que representa a Homofobia e o Antisemitismo?
Quem sabe, no próximo, vem um Islamofóbico?

quarta-feira, 24 de março de 2010

MEIO DISTANTE

Tenho andado meio distante, meio desligada deste espaço que me dá tanto prazer. Prazer de escrever o que sinto, o que leio, o que assisto, o que ouço o que vejo no dia-a-dia. Mas, tem momentos em que o mundo que criamos, a família que formamos, pede-nos mais atenção, mais generosidade, menos egoísmo, mais divisão. Tenho vivido um momento desses. E aí, o mundo que quero viver, sem ter medo de me revelar egoísta, tem que dar uma parada, o sinal vermelho acende, e ficamos vivendo naquela esquina daquele outro mundo que de uma maneira ou de outra ainda somos responsáveis. Gosto de ver gente bonita, aliás, sou uma pessoa que tenho facilidade de ver beleza onde muitos vêem feiúra. Não é por que sou “boazinha” mas por que gosto de gente. Gosto de olhar gente, gente antenada, articulada, sem medo de ser feliz. É sempre o que desejo aos meus filhos e aos meus amigos jovens e jovens amigos. Buscar ser Feliz, nem que seja nas horas vagas. Libertos de preconceitos que nos aprisionam. Já basta a prisão que vivemos, dos mundos que criamos, portanto responsáveis, do dia-a-dia com o chefe chato, o personagem que assumimos no trabalho, na festa de aniversário, no casamento do parente, na formatura do amigo e lá vai.... È a prisão da rotina, da mesmice, da tentativa de se mostrar normal guando somos todos alterados, transformados para parecermos mais normais, mais adestrados, mais aceitos.
Sempre converso com meu Filho sobre isso e eu digo a ele: viva parte da sua vida dedicada a seus compromissos como cidadão e guarde sempre o momento certo para dar férias a variedades de personagens que temos que desenvolver na sociedade, sem medo de não ser aceito.
Tenho vivido um momento família, desses que qualquer boa esposa, boa mãe, boa dona-de-casa precisa viver pois faz parte (do que?) do mundo que um dia aceitamos e autorizamos que ele, o referido mundo, implantasse-se em nossas vidas. Não reclamo, pois a maioria da minha vida atual não tem sido tão comprometida com esse ritual. Tenho sido, a maior parte do meu tempo, senhora do meu dia, da minha rotina e etc... Não sei se continuarei assim depois que o Neto (Arthur) nascer. Mas isso já é outro papo, pois o Arthur será a autorização de vir mais amor para eu viver, assim como foi com meus filhos e com meu Pai.
Bem, justifiquei –me com relação aos meus espaços vazios em você, amigo Blogger (Diário). Não o abandonei, nunca o abandonarei. Você, é meu momento, meu dia, minha paixão. Quando estamos sós sou completa. Você nunca me discrimina, nem me maltrata, só me edifica. Adoro você, ok?

quarta-feira, 17 de março de 2010

ESQUISITICE

Eu e meus dois filhos, Rodrigo e Gabriela, temos uma amiga que, depois de aprontar todas após um pileque, some por uns dias, depois pega o telefone e começa a ligar para as suas vítimas dizendo: "perdão fulano (a), não fui eu mesma, foi meu eu lírico...." É muito bom vê-la nesse "desvio". Sempre é motivo de muitas gargalhadas.
Bem, mas todo mundo, penso eu, tem esses momentos que se acha esquisita: algo parecido com vazio, impaciência, ansiedade, se possível, pular "amarelinha" com aquele momento. Nesses momentos somos totalmente desconhecidos de nós mesmos. E o que é pior, é que, na nossa rotina, criamos uma pessoa e em cima dela (da pessoa que somos) as outras pessoas criam também suas expectativas. Usamos o nosso lado constante como um amparo a nós mesmos. As pessoas esperam nossas repetidas e rotineiras respostas e comportamento. Não é fazer personagem, é exatamente "aquilo" que somos os 300 dias de um ano. Pode até ser uma pessoa rotineiramente esquisita, mas reconhecidamente esquisita. Até aí, tudo bem. De repente, surge uma pessoa introspectiva no lugar da "aberta" e "risonha" de sempre. E o que é pior, as vezes surge o "monstro da lagoa". Meu Deus, ninguém merece.... Depois da monstruosidade, vem a ressaca do gesto. Aí, sim... É você contra você. Tudo o que queremos nesses momentos, é sumir embaixo dos lençóis, torcer por um apagão amigo. Pode ser após um pileque, um ataque de TPM, de Menopausa, da viagem de um filho (a) que você, na última hora, não pode acompanhar. É o meu caso hoje. Meu Filho viajou para defender sua tese de mestrado e eu não pude ir.... Acabou com a rotina do meu Ser. Estou esquisita e ponto!
E se me achar esquisita,respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.
Clarice Lispector

Eu, normalmente busco ser o que sou, ou seja, esquisita, pois quem me achar assim vai ter que me respeitar, pois foram anos de terapia para me aceitar e me respeitar, criando um link com a frase da Clarice Lispector.

segunda-feira, 15 de março de 2010

VALORIZAR A QUEM ME AMA DE VERDADE

Por influência de meu filho mais velho, o Rodrigo, tornei-me participante do Orkut, não entendia muito bem a filosofia da coisa e, comodamente, não fazia parte, não sabia como funcionava, o que até hoje ainda me "arrasto" na compreensão dessa comunidade que velozmente passa dia-a-dia. Eu, sinceramente, ainda não consigo "correr" como meus "amigos de Orkut" correm com seus "recados" e mil outros meios que são dispostos como forma de demonstração de carinho, de afeto e consideração. Não quero desistir, pois tenho gostado dessa nova vivência.
Uma das grandes "manias" que tenho é ficar observando as pessoas, e, no momento que as observo, penso em como será sua(delas) família, de onde são, por que estão alí, naquele momento, e na maioia das vezes construo estórias sobre suas vidas. Meus Filhos, sempre tiraram "sarro" dessa minha mania, pois diversas vezes, externei a estória que tinha criado para aquela determinada pessoa. Não tenho hábito de fazer críticas ou falar mal das pessoas, mas, isso não me dá o prêmio de boazinha, sei defender-me quando preciso. É apenas uma incessante busca da humildade que me faz assumir uma postura mais tolerante e a capacidade de relativizar qualquer "possível defeito" do outro.
Só que nessa minha caminhada em busca da consciência de minhas próprias fraquezas gerando estima pela natureza humana, andei meio esquecida de Valorizar os que, mais próximos, estão sempre me doando amor sem muito me pedir: é o homem que há 33 anos escolhi para esposo, e fui escolhida por ele para ser sua esposa também, o Joaquim Mota, meus dois filhos, Rodrigo e Gabriela, sobrinhos (as), cunhadas, pessoas que trabalham comigo há tantos anos como Marina, Nazaré, Eunice e várias outras pessoas que tenho consciência que me amam de verdade. Em resumo, buscando um crescimento de ordem espiritual, fui deixando de "Valorizar muito quem me ama de verdade, porque um amor sincero e verdadeiro,não se encontra em cada esquina. O mundo está cheio de falsos 'eu te αmo' por aí; não é a toa que uma das expressões mais bonitas virou sinônimo de cumprimento.'' (Texto da Comunidade Valorize muito quem te ama de verdade que, recentemente, por um "amigo de Orkut", fui despertada para essa realidade).
Tenho plena certeza que a comunidade blogueira torce o nariz para a Comunidade Orkut. Mas, eu quero, como já disse em outros momentos, quero viver intensamente como uma peça de teatro, sem ensaios, quero rir, chorar, conhecer gente, amar mais quem já me ama, demonstrar consideração por quem tenho tido em silêncio, antes que a peça acabe, a cortina feche-se, a platéia (o rol citado) vá embora e não fique ninguém para aplaudir....
Trago o comentário para esse Blog porque sendo esse espaço livre, sinto-me livre também, para dizer desse meu novo momento. Sem comentários normalmente escritos nas postagens, e também, por fazer desse espaço o mesmo que fazia com meus antigos diários, preciso registrar nele (meu diário) esta mais nova descoberta: tinho-me acomodado em demonstrar mais valor a quem menos me amava.

terça-feira, 9 de março de 2010

QUESTÃO DE GÊNERO

Sou filha caçula entre quatro irmãos, então, naturalmente, sou questionadora (segundo alguns psicanalistas). Pergunto muito, penso muito, não sou de falar muito, ouço mais e escrevo o que quero falar. Assim, fui criando minhas bandeiras, algumas lutas para ser ouvida e outras manias de gente caçula no meio de três personalidades tão fortes quanto as dos meus irmãos. Mas, o que podia ser problema para alguns, para mim foi muito positivo. Comecei cedo a questionar minha posição como mulher na sociedade o que me levou a precoce leitura de Simone de Beauvoir, Marta Suplicy, Rose Marie Muraro....Também levei adiante a busca por uma força que me desse um suporte espiritual. Tanto que minha corrida aconteceu o oposto da maioria das beatas. Cedo, ainda jovem e razoalvelmente bonita (para alguns) fui católica, seicho-no-, ayuasqueira (União do Vegetal), espírita e, hoje, minha fé internalizou, fiquei menos necessitada de sedes, núcleos, pólos, igrejas, etc... Agora, vivo o que acredito dentro de mim. Primeiro borboleta, "voando", "sentando" , hoje, casulo.
Ontem, fiquei receosa de receber algum comentário de "feliz dia internacional da mulher....". Por que vivo meu gênero também como casulo. Continuo no "processo" de expelir fio para continuar construindo a seda. (A verdadeira liberdade feminina). Não vejo ainda a mulher num firme alicerce de iqualdade entre os gêneros. Falta mais algumas décadas, principalmente, nós, brasileiras e ainda nortistas e nordestinas....
Ontem, peguei meu livro de Hazel Rowley, "Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre Tête-a Tête" e reli os textos diversas vezes sublinhados com marcadores e trago para esse espaço um desses textos. "A elegante e atraente Simone de Beauvoir, a embaixatriz do existencialismo nos Estados Unidos, conquistou os linguistas de Princeton ontem à tarde, enquanto os bombardeava com uma opinião não tão simpática aos que lhe ouviam. Dizia: Eu imaginava que as mulheres aqui me surpreenderiam com sua independência. Mulher Americana e Mulher Livre parecia-me expressões sinônimas. A princípio (...) seu modo de vestir me espantou com sua caracteristica flagrantemente feminina, quase sexual. Nas revistas feministas aqui, mais do que nas francesas, li longos artigos sobre a arte de caçar um marido e pegar um homem. Vi que as universitárias não se preocupam com quase nada, a não ser com homens, e que a mulher que não é casada é muito menos respeitada aquí do que na Europa (...).As relações entre os sexos são uma luta."
Nós, brasileiras, estamos bem perto da realidade das Norte-Americanas que a Simone sentiu na década de 50 a 60. Nossa relação com os homens ainda é uma luta, uma disputa, uma maratona a ser ganha. E a iqualdade não se chega por aí..... A igualdade é representada por semelhança de tratamento entre os gêneros, jamais uma guerra. Isso é Inquisição. Caça as bruxas. Também vejo a nossa nudez como uma agressão, um acinte. Não, decisivamente, para mim, ainda estamos distantes de termos o que festejar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"ENTRE OS MUROS..."

Assisti pela 7ª vez o filme Entre os Muros da Escola , 2008, Drama baseado no Livro Entre les Murs do Autor François Bégaudeau, que também é o protagonista do próprio filme. A França, através desse fantástico escritor, tem a coragem de expor o que realmente vem acontecendo não com exclusividade na França, mas noutros países europeus com crescente fluxo migratório dos descontentes de seus países. Escolas "especiais" que recebem os filhos dos pais imigrantes, vêem-se do difícil dilema de buscar conviver com as particularidades desses estudantes como é o caso do estudante proveniente do Mali (Continente Africano) que acaba sendo expulso da Escola por agressão a uma amiga, também Africana. O problema é de tal monta que há dez anos atrás estudei numa Pós-Graduação o problema de Identidade que dificultava a situação dos povos que constituem o Continente Africano. Pois justamente nessa Escola Policultural Francesa, os professores buscam, tirando o melhor de si, criar vínculos capazes de facilitar a naturalmente difícil missão de Educar. Filme imperdível, principalmente aqueles que praticam a árdua profissão de Educar. Nas palavras de François Bégaudeau: "nada a dizer, não se envolver nos comentários, ficar na confluência do saber e da ignorância, em cima do muro. Mostrar como se passa, como funciona e como não funciona. Dividir o discurso pelos fatos, as ideias pelos gestos. Apenas documentar o quotidiano laborial." Foi assim que François, já tendo passado pela experiência relatada no seu livro, define o livro escrito após essa experiência e também o filme magnífico ganhador de melhor filme no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O Filme e o Livro já se encontra na Livraria Cultura. Vale a Pena investir... Qualquer coisa, tendo disposição, terá reapresentação no Telecine Cult (65) às 00:30 (horário Brasília) da manhã de domingo para segunda-feira.

quinta-feira, 4 de março de 2010

ARTIGO PUBLICADO NO "ESTADÃO DO NORTE"

Estou reorganizando a bagunça do meu quarto "criativo". É nesse espaço, que crio, construo e descontruo teses de vida, leio e releio meus melhores livros, assisto e reassisto os grandes filmes que me "tocaram" tão profundamente que me fizeram deixar de ser o que pensava já ser. Foi assim que encontrei um artigo meu escrito em maio de 1983, Dia das Mães. Fiquei feliz por ainda ter o recorte de Jornal. Dois amigos de profissão, Paulo Queiroz e Martinez (já falecido), pediram que escrevesse algo para o Dia das Mães que não "tivesse o mofo dos já publicados" (palavras textuais deles, pois grampeei o bilhete ao Artigo que transcreverei abaixo pensando não ser tão distante do que preciso dizer a minha filha, Elza, já perto de ganhar o nosso mais novo membro da família: Arthur. Passo a transcrever: Nos meus tempos de faculdade tive que fazer um trabalho sobre "A Mulher Brasileira". Bem, note-se que, nessa época, eu vivia um intenso amor (noiva do meu atual marido) e tinha um trabalho gratificante. Casa para mim significava apenas o lugar onde se alimenta e depois dorme e nenhuma preocupação se empregada faltou, se a carne acabou, e etc... Some-se a isso nenhuma responsablidade com a maternidade. Então, agora, depois da caracterização do momento vivido até então, vocês já podem avaliar de antemão que na dissertação do artigo eu colocava a mulher como a heróina capaz de romper todas as barreirs e se tornar "aquela" mulher da novela das oito ou ainda a militante que fui pelos direitos feministas e até a própria Simone De Beauvoir na vida. Hoje, com três anos de casamento, um lindo e amado filho com cinco meses, marido e uma casa em que todas as obrigações provenientes dela, da casa, são minhas, volto a refletir sôbre a situação da "Mulher Brasileira". Agora, apesar de não ter compromisso com professores, faculdade, disciplinas, somente uma baita vontade de falar alguma coisa sobre mim e também à Você que está lendo esse artigo. Na ocasião do Artigo para a Faculdade eu dizia que o que faltava a nós, mulheres, era ter em mente um modelo, um objetivo e daí, partir para alcançá-lo. Pórem, hoje, igualmente como ontem não tinha os modos "como" lutar. Será que a mulher ter conseguido o seu espaço profissional, aquela que participa do orçamento doméstico nos dá algum mérito? É obvio que foi um grande passo nossas conquistas, mas ao mesmo tempo penso que nós tivéssemos lutado ou não, teríamos que assumí-la, pois essa situação de uma maneira ou outra, com a Revolução Industrial, teríamos que ir à luta mesmo. Foi uma imposição econômica que, imperiosamente, gerou esta mudança de costumes. E quem provocou essa situação senão o próprio homem? Afinal, eram eles os detentores do poder na epoca. Será que, com raríssimas exceções, continuamos apenas como operárias? Pergunto-me se trabalhando fora, falando em sexo tão mais abertamente do que nossas mães ousavam falar, ou lendo Marta Suplicy, Rose Marie Muraro, Simone de Beauvoir ou ainda estar podendo "falar" com vocês sobre esse tema através de um mass media, faz-me mais feliz do que a minha mãe, minhas avós o foram? Sinceramente, não sei não... Quanto mais penso, mais questões avoluman-se. Acho, que hoje temos mais papéis a desenvolver (profissional, dona de casa, mãe e etc...), mais preocupações de "ser" e a maior é a grande interrogação do que está "sendo". É claro que essa pode não ser o caso de algumas poucas mulheres, mas o é da maioria. Vimos o nosso mundo modificar como resposta a uma proposta "nossa". Passamos a usar expressões tão temas de antigas passeatas como "meu corpo me pertence"; "quero fazer o meu espaço"; "sou livre" e etc....) a grande preocupação de "ser", e a grande interrogação de o que está sendo. É claro que este pode não ser o caso de algumas mulheres, mas é o da maioria. Vimos o nosso mundo modificar todo como resposta a uma proposta a uma proposta nossa. Ficamos alegres e passsamos a usar expressões tão popularizadas como o "meu corpo me pertence", "quero conquistar o meu espaço", "sou livre" e etc... Toda essa modificação se deu, ao meu entender, de um modo superficial. Talvez tenhamos recebido essas modificações e as tejamos vivendo sem, no entanto, temos nos preparado internamente para assumir essas proposições que o mundo moderno nos ofereceu. Digo isso exemplificando. Há cinco cinco anos atrás, quando tive meu filho, ainda em recuperação de uma cesária (com um dia após de operação) chegaram com duas cintas e daquelas bem apertadas para que as usasse, senão o meu corpo iria ficar estegado, e o que mais tinha era mulher bonita querendo o marido das outras". Gente, quem falou isso foi uma mulher!!! Tudo o que eu queria era estar confortavelmente folgada e sem cintas, pensando apenas em sair daquele quarto horroroso que me angustiou tanto. Agora eu pergunto: o nosso corpo realmente nos pertence? Para que esse esse culto do corpo? Por que temos que ter como modelo a Bruna Lombardi, a Vera Fisher e, outra, se somos livres se nosso corpo nos pertence? Desculpem o pessimismo, mas às vezes tenho a angustiante sensação de estar sendo um intrumento de intenções unicamente machistas. Não, para mim terminantemente não bastam essas modificações para que eu possa dizer realmente mudaram em sua essência (verifique bem "em sua essência"). Talvez as coisas tenham modificado em suas bases em alguns países... Não posso falar, pois não tive a oportunidade de conhecê-los, mas no Brasil, acho, (bem pessoal) que somos a geração de transição para um modelo melhor, somos o alicerce de uma construção que nossas filhastratarão de dar continuidade. Ainda temos muitas angústias, muitos anseios e muito por quem lutar. Temos que repensar e modificar dentro, lá no fundo, modificar nossa cabeça e partirmos para aceitação dessas reformulações sociais e propostas feministas. Desculpem o pessimismo, porém é como eu sinto a coisa, e é como eu tento partir para alguma coisa. (Artigo postado no "ESTADÂO DO NORTE" em maio de 1983).

quarta-feira, 3 de março de 2010

"A CABALA DA INVEJA"

Gosto imensamente de escrever o que vivo, o que sinto, o que leio, o que assisto (sou cinéfila) enfim, sobre o conjunto de coisas que vão sempre me construindo ou reconstruindo e até aquilo que me desconstruindo cria-me outra melhor que a antiga Lúcia. Gosto disso. Gosto da Vida justamente por me dar a oportunidade de me renovar em ideias, pessoas, pensamentos, desejos, sonhos. Nunca me penso construída, pois, no dia que me pensar assim podem cremar-me após dividir os órgãos que ainda podem continuar vivendo em outra pessoa, pois, com certeza, pensar-me construida é pensar-me morta, risível, flagelo do que quero viver aqui, na minha cabeça e na minha incansável luta em viver o mais próximo meu mundo das ideias (segundo Platão). Não quero, não mereço, viver morta em meus devaneios, em meus acertos, desacertos, em minhas lembranças boas. Morta na minha capacidade de criar, de agir e de não-agir (também é ação). Lembro-me do filme "O Escafandro e a Borboleta", pois aquele filme (inspirado no livro do mesmo nome) é meu resumo.

Bem, mas vamos ao que li recentemente e que me impressionou, ensinou-me, fez-me pensar sobre mim e em quais momentos fui objeto de inveja e em quais eu fui a invejosa. Tenho o direito de ser "bondosa" comigo e também de fazer uso de um Direito Contitucional que é o Princípio da Inocência. Portanto, vou transcrever o texto do livro lido, "A Cabala da Inveja" de Nilton Bonder, "sentindo-me" não invejosa.

Moisés, no final de sua vida, quis saber de Deus por que teria que morrer. "Porque já nomeei Josué em teu lugar para liderar os israelitas", respondeu Deus. "Deixa-o liderar", contestou Moisés. "Eu serei seu servo." Deus concordou, mas Josué não gostou muito da situação. Moisés então lhe perguntou: "Você não quer que eu permaneça vivo?"

Josué, consentiu e tornou-se líder e mestre até mesmo para Moisés.

Quando foram entrar na Tenda Sagrada (onde se encontrava a Arca), uma nuvem surgiu. Josué foi autorizado a entrar no espaço sagrado e Moisés teve que permanecer do lado de fora.

Disse Moisés: "Uma centena de mortes são preferíveis à dor da Inveja." Naquele dia, Moisés pediu para morrer. (Crônicas de Moisés).

A Crônica, de uma grande intensidade, faz-nos refletir, que a Inveja, por não ser exclusidade do final da vida, como foi a de Moisés, mata pessoas jovens, mais velhas, sem idade, pois os seres humanos despendem tanta energia na expectativa de que o "outro" não seja bem-sucedido. Nesse caso, a própria vida não é mais capaz de propiciar tanto prazer e contentamento quanto o fracasso do "outro". O Invejoso, segundo o rabino Nilton Bonder, está diante de seu próprio cadáver, pois não é capaz e sentir por si só. É, portanto, uma alma penada, um vampiro que se alimenta não da sua própria vitalidade, mas da alheia.
É o que Zuenir Ventura, cita em seu livro "INVEJA - Mal Secreto", que a INVEJA é como melhor entendemos, nós, brasileiros, o famoso "Olho Gordo".
A psicanálise, hoje, já nos faz compreender muito onde originou-se a formação desse "vampirismo" da Inveja.
Empenhar-mos na busca do isolamento do vírus da Inveja, saber identificá-lo no meio de suas inúmeras nuances é investir na descoberta da verdadeira cara invejosa, é olhar essa realidade com outra visão. Enxergar, mesmo que seja na escuridão da superficialidade reduzirá o nível de agressividade deste mundo e torná-lo uma realidade mais aceitável, mais tolerável.
Livrar-mos de tantas ciladas e livrar tanta gente da cilada desse vampirismo. E até mesmo, reconhecendo-nos invejosos, buscar-mos tratamento desse Mal que Mata os portadores do Vírus e também os livrarmos da morte de não sonhar, não desejar as coisas boas que Deus nos deixou a disposição das pessoas atacadas (vampirizadas) pelo mesmo vírus.
Concluo esse post com o tema que tem sido objeto de estudo meu, com um Ditado em iídiche: "Se você é bonito(a), inteligente, estudioso (a), ou tem uma mulher (ou homem) bonita (o), você é um (a) mau (má) amigo (o)."
Quem desejar aprofundar-se nesse tema que faz tanto mal as pessoas tem a Doutora Melanie Klein em seu trabalho Inveja e Gratidão.