sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VIVER SEM PAREDES

Desde guria, menina, cunhatã, vivia um mundo sem limites de Idade, Sexo, Cor, Religião....Esse dia chegou. Ou ainda não chegou para os que vêem este tempo como o "tempo de Sodoma e Gomorra", ou "final dos tempos" tal qual os fundamentalistas. E o importante é termos consciência que o fundamentalismo não é exclusividade de religiões orientais, muçulmanas ou outras que o Ocidente rotulou. Não! Esse "apego" ao antigo, ao conceitual, ao preconceitual, ao rígido, ao inflexível está se dissolvendo.... A tendência humana é olhar-se não mais sobre um conceito previsível, perene, imaculado, mas com o olhar audaz, silencioso, corajoso de quem sabe que tudo é imprevisível, flexível, fluido.
A mente humana vem se abrindo para o que é fluido, o que é líquido, o que se dissolve. Hoje gelo, amanhã água. E eu cheguei nele aos 52 anos. E mais, vou vivê-lo....! Foi minha maior gestação. Gestei esse mundo durante anos na minha cabeça de menina. Eu "odiava" o Colégio, mas amava estudar; amava Deus, Jesus Cristo, Alá, Maomé, e etc....Mas rejeitava a obrigação de ter que ir ao templo, pois falava com Deus no Jardim de Inverno de meu apartamento em Belém o que me tatuava como "esquisita", chegando ao nível de um dos meus irmãos muito querido dizer ao amigo Argas, "olha, não liga muito para a minha irmã, ela é meio "doidinha". Eu não gostava de PAREDES.
Nunca olhei griffes mesmo podendo comprá-las, pois meu Paizinho não foi pobre, não tinha o pré-requisito dos políticos que antes de qualquer graduação que lhes dê melhores condições de adminstrarem o que devem assumir e o que é técnico, começam: "fui pobre, já vendi enciclopédias, minha mãe fazia pão para vender...." Fazem toda espécie de preenchimentos com Botox, mas ostentam um dedo amputado para que a sociedade lembre que ele, mais que todos, foi um coitado.
Eu não fui pobre, tive tudo o que precisei.... Mas queria um mundo que não era aquele e isso meu Paizinho não me podia dar.: UM MUNDO SEM PAREDES. Viví um mundo prisão, um casamento -prisão de Vigilância Máxima. Nasci mulher. Outro sistema de Vigilância Máxima. Não somente por parte do outro contratante mas por que eu queria ter nascido livre, flexível, fluida. Isso talvez tenha sido pior que um dedo carcomido.
Quero sempre exercer da minha condição de Ser Humano, "aquele ser que avalia. Em todos os instantes de sua vida - dos mais simples aos mais complexos ele está tomando posição, manifestando-se como não-neutro." (Luckesi)
Chegou aos nossos trópicos aquela Escola que, paradoxalmente, não é mais aprisionada a um prédio. Ela é domínio e responsabilidade de todos os seguimentos sociais. Educamo-nos na praia, no shopping, na rua, na televisão, na Internet, no bate-papo, no BBB10. Tudo educa, mesmo sem paredes.
Assisti, recente, um filme obrigatório aos cinéfilos: "Entre Quatro Paredes". Cinema Europeu de melhor qualidade, baseado na peça sartriana que empresta o mesmo nome do filme. Sinceramente, resume tudo o que foi falado acima. Pessoas que vivem a morte estando vivos. Seres que aprisionam toda a sua volúpia nos preceitos carcerários de uma religião, homens que decidem pelo suicídio de passar a vida cuidando de um Pai amargo para se sentirem "seguros" entre quatro paredes e por aí vai. A linguagem cinematrográfica lambuza o filme de penumbra, pontuado por portas que se abrem e fecham. O gelo de um inverno tórrido de Paris exigindo sempre muita roupa escondendo não somente o corpo do SER mas o próprio SER. Para quem ainda não assistiu, a Livraria Cultura coloca este filme a sua disposição. "Espie." "Ouse." , como diz o Bial.
Vamos aproveitar essa Sociedade Fluida, Líquida para nos despir dos antigos conceitos e aproveitar enquanto podemos viver essa sociedade sem rótulos.
"Parô./ Pára de palco!/ Mona./ Pára de palco/Luxo, luxo, luxo./...Arrasando,.../ Se joga!/...
Vamos brilhar...." (Drag Queen). Quem não conhecer ainda esta linguagem pajubá, entre na Modernidade Líquida, busque saber das linguagens de antigos guetos.
O Dourado está morrendo de rir/ A mona Dimmy Kieer está brava. (BBB10 também é educação no mundo brilhante, flexível, líquido.
Estou morrendo de rir, eu posso, sou livre.

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