Carnaval é realmente um momento impar no Brasil. O que falarmos ou escrevermos numa fase como esta estaremos em cena de teatro, peça monológo, sem pláteia. É o deserto de pláteias essa fase. Quem tem pautas impostas tem que fazer o que está no papel. Quem, saudalvemente, tem pautas "alternativas" podem escolher. Esses ficam em situação melhor. Os colunistas, blogueiros, etc...são os privilegiados porque podem escolher qualquer coisa, pois não sendo lidos, deixa-os livres para falar do que tem vontade de falar e não podem muitas vezes fazê-lo, pois o "momento" dita o que dizer. É mais ou menos como funciona a função de quem escreve.
Bem, então busquem entre uma noite e outra de carnaval, verificar que as coisas realmente sérias capazes de causar susto a qualquer ser vivo do planeta serão ditas nesses momentos de "letargia cerebral". O Poder, aproveita-se destas tréguas do "pensar" para "dizerem" o que realmente pode mudar sua vida. É fato. Principalmente, nós, alienados naturalmente, em função de um "interesse" peculiar daqueles que nos dirigem, administram, corrigem, legislam, punem e condenam em nos manter em constante estado de carnavalização.
Isso não quer dizer que não vou viver o meu momento de carnaval que, segundo o antropólogo Roberto da Mata, no seu livro Carnaváis, Malandros e Heróis, é importante vivermos um momento em que o rito, como elemento privilegiado de fazer tomar consciência do mundo, é um veículo básico na transformação de algo natural em algo social. Isso porque, para que essa transformação do natural ao social possa ocorrer, uma forma qualquer de dramatização é necessária.
Então, eu estarei também no meu momento de dramatização do natural ao entendimento do social. Vou beber minha champagne, vestir-me de Diva e "brincar" de viver feliz no mundo do Trio Maravilha. (Jorge Ben).
Preciso muito me dar o direito de fazer o papel de Diva, da mulher grandiosa, num imenso palco, com muitos aplausos de uma interessante platéia. Jogar-me na dramatização de quem diz como os versos da música : "hoje, eu não quero sofrer, hoje eu não quero chorar, deixei a tristeza lá fora, mandei a saudade esperar....Hoje eu não quero sofrer, quem quiser que sofra em meu lugar...."
Lúcia Barros.
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