A maior parte de nós estamos em constantes contradições. Questionamos àqueles que demos tanto e, na maioria das vezes, nunca recebemos aquilo que pensávamos que iriam retribuir em afeto. O mundo está tão lotado de TER que hoje queremos receber coisas imateriais, como afeto, atenção, carinho, um telefonema perguntando como estamos, o que estamos fazendo ou "tecendo" em nossos imensos retalhos de Vida.
Hoje, conversava com um grande amigo sobre esse questão e ele dizia-me do conteúdo do livro que estava lendo e, apesar de ser um livro sobre Leis ou Códigos de Conduta de Grupos Mafiosos, em determinado momento o livro entrou na esfera do desespero daqueles, que apesar de politicamente incorretos, esperam de seus amigos. E exatamente esperam coisas impalpáveis, sem valor material, inúmeras vezes, apenas fidelidade. Eu, estou lendo três livros (sou mulher) de uma vez mas o que tem me sugado o interesse é O Prédio, o Tédio, e o Menino Cego, de Santiago Nazarian. E o que ele tem deixado-me na "fissura" é o descompromisso das pessoas com as outras.... Não são simplesmente pessoas conhecidas ou desconhecidas mas o descompromisso dos mais próximos: irmãos, pais, mães, filhos, parentes, "amigos", aderentes e etc.... É o Silêncio, a Cegueira Humana, formando batalhões e fileiras de sem-afeto, sem-carinho, dos sem-atenção, enfim, dos sem-humanidade. Pessoas que tem medo de parar e olhar para o desabrigado de atenção que mora na sua própria casa. Enganam-se, quando, de passagem, atiram uma esmola de seus carros a um ejetado do sistema. O que seria de nós se não fossem os miseráveis? O que seria do Lulinha? E dos Políticos? E das Igrejas? Seríamos obrigados a olhar para nós, para os nossos nós, nossos conflitos, os conflitos dos filhos, dos amigos, dos irmãos, dos parentes.... Bem, mas ainda bem que temos ainda os miseráveis. Inclusive, os políticos, o LULA, o mundo tem que manter essas vítimas, pois senão o que será de nós?
Bem, mas como Eu e o Meu Amigo estávamos comendo, repentinamente, fui salva pelo meu Anjinho Amelie. É uma Cocker Spaniel que me ficou de herança de uma relação mal sucedida de minha filha com um namorado. Eles resolveram presentear-se com um cachorrinho que deveria representar uma "filha" deles. O romance acabou, e a "filha" ficou comigo. Como sempre, sou salva, em minhas entradas em meus labirintos de pensamentos nos quais não estou encontrando saída Ela, minha Neta, lembra-me que a simplicidade também é interessante e merece ser vivida. Insistiu com a patinha, dizendo que ainda não colocara seu almoço e como tinha acordado tarde, dei-lhe apenas um lanche. Sou profundamente grata a esta relação pois deixou-me de Herança o afeto, o carinho, a compreensão e a constante lembrança de que o Amor ainda existe. E, ele, o amor é incondicional. Não pede muito e nos dá a certeza que existe AMOR GRATUITO neste mundo de trocas, compras e ambição. Tenho sido, muitas vezes, lembrada de minha natureza original através da minha Neta Amelie.
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